Introdução
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
PONTILHAR OU NÃO PONTILHAR: A AUTONOMIA DOCENTE DIANTE DAS DISPUTAS METODOLÓGICAS NA ALFABETIZAÇÃO
PONTILHAR OU NÃO PONTILHAR, EIS A QUESTÃO
Introdução
O processo de alfabetização envolve múltiplas metodologias, estratégias e recursos didáticos, todos atravessados por concepções de infância, aprendizagem e linguagem. Entre esses recursos, o uso de atividades com letras, palavras ou traçados pontilhados ocupa lugar de destaque — e também de controvérsia — nas práticas pedagógicas da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Enquanto alguns educadores defendem o pontilhado como instrumento importante para o desenvolvimento motor e para a familiarização com a escrita, outros o criticam por considerá-lo limitador da autonomia e da construção do pensamento escrito. Diante desse debate, surge a questão que orienta este artigo: pontilhar ou não pontilhar?
O uso de pontilhados no processo de alfabetização
As atividades pontilhadas são tradicionalmente utilizadas com o objetivo de auxiliar a criança no reconhecimento das letras, no controle do traçado e no desenvolvimento da coordenação motora fina. Para muitos professores, especialmente na Educação Infantil, o pontilhado funciona como um apoio inicial, oferecendo segurança à criança que ainda não domina o gesto gráfico.
Segundo Vygotsky (1998), o aprendizado ocorre por meio da mediação, ou seja, a criança aprende com o auxílio de instrumentos e da intervenção do outro. Nessa perspectiva, o pontilhado pode ser compreendido como um instrumento mediador, que orienta a ação da criança até que ela seja capaz de realizar a escrita de forma autônoma. O autor afirma que “aquilo que a criança consegue fazer hoje com ajuda, será capaz de fazer sozinha amanhã” (VYGOTSKY, 1998, p. 97).
Além disso, o uso de pontilhados pode contribuir para o fortalecimento da coordenação visomotora, habilidade essencial para a escrita. Conforme destaca Kishimoto (2011), atividades que envolvem traçados, desenhos e movimentos controlados são importantes para o desenvolvimento motor infantil, desde que façam sentido para a criança e estejam integradas a práticas significativas.
As vantagens do uso de pontilhados
Entre as principais vantagens apontadas pelos defensores do pontilhado, destaca-se o fato de que esse recurso pode reduzir a ansiedade da criança diante do desafio de escrever. Ao seguir um traçado previamente delimitado, o aluno sente-se mais confiante e motivado, especialmente nos estágios iniciais da alfabetização.
Outra vantagem refere-se à organização espacial da escrita. O pontilhado auxilia a criança a compreender o sentido da escrita, a direção do traçado e a proporção das letras. De acordo com Soares (2004), a alfabetização envolve tanto a apropriação do sistema de escrita quanto o domínio de habilidades motoras e perceptivas necessárias para sua execução.
Além disso, quando utilizado com intencionalidade pedagógica, o pontilhado pode funcionar como uma etapa transitória, não como um fim em si mesmo. Nesse sentido, ele deixa de ser uma atividade mecânica e passa a integrar um processo mais amplo de construção da linguagem escrita.
As críticas ao uso de pontilhados
Apesar das vantagens apontadas, o uso excessivo ou indiscriminado de pontilhados é alvo de críticas por parte de pesquisadores e educadores. Uma das principais objeções é que esse tipo de atividade pode estimular apenas a cópia mecânica, sem promover a reflexão sobre a escrita.
Emília Ferreiro (1999), referência nos estudos sobre alfabetização, critica práticas que reduzem a escrita a um simples treino motor. Para a autora, a criança não aprende a escrever apenas repetindo traçados, pois a escrita é, antes de tudo, um sistema de representação. Como afirma Ferreiro, “a escrita não é um desenho nem uma simples reprodução de formas, mas um sistema simbólico que a criança precisa compreender” (FERREIRO, 1999, p. 33).
Outro ponto levantado pelos críticos é que o pontilhado pode limitar a criatividade e a autoria da criança, uma vez que ela apenas segue um modelo pronto, sem a oportunidade de experimentar, errar e criar suas próprias hipóteses sobre a escrita. Nessa perspectiva, o risco está em transformar a alfabetização em uma atividade repetitiva e pouco significativa.
Pontilhar ou não pontilhar: uma questão de equilíbrio
Diante das posições favoráveis e contrárias, torna-se evidente que a discussão não deve se limitar a uma resposta simples. O problema não está necessariamente no uso do pontilhado, mas na forma como ele é utilizado. Quando empregado como único recurso, de maneira mecânica e descontextualizada, ele pode empobrecer o processo de alfabetização. No entanto, quando integrado a práticas significativas de leitura, escrita, brincadeira e produção textual, pode cumprir um papel auxiliar importante.
Como destaca Soares (2004), alfabetizar não é apenas ensinar a decodificar letras, mas inserir a criança em práticas sociais de leitura e escrita. Assim, o pontilhado deve ser apenas uma entre muitas estratégias, e não o centro do processo.
Considerações finais
O debate sobre o uso de pontilhados na alfabetização revela a complexidade do ensinar e do aprender a escrever. Não se trata de defender ou condenar essa prática de forma absoluta, mas de refletir sobre seus objetivos, limites e possibilidades. Pontilhar ou não pontilhar, portanto, não é apenas uma escolha metodológica, mas uma decisão pedagógica que deve considerar o desenvolvimento integral da criança, suas necessidades, seu contexto e o sentido atribuído às atividades propostas.
Em uma alfabetização comprometida com a formação de sujeitos críticos, criativos e autônomos, o pontilhado pode existir — desde que não substitua a experiência viva, significativa e reflexiva da escrita.
Referências
FERREIRO, Emília. Reflexões sobre alfabetização. São Paulo: Cortez, 1999.
KISHIMOTO, Tizuko Morchida. O brincar e suas teorias. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2011.
SOARES, Magda. Letramento e alfabetização. São Paulo: Contexto, 2004.
VYGOTSKY, Lev S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
domingo, 11 de janeiro de 2026
Dez Dicas Importantes para Alunos no Início das Aulas - para alunos
Ei, alunos! O ano letivo começou e é hora de brilhar na escola. Essas dez dicas vão te ajudar a se divertir aprendendo, fazer amigos e ter sucesso nas aulas. Vamos lá?
Chegue cedo e com tudo organizado.Prepare a mochila na noite anterior: cadernos, lápis e lanche. Chegar adiantado dá tempo para bater papo com os amigos e se acalmar.
Ouça as regras e siga com empolgação.
Preste atenção no que a professora explica sobre as regras da sala. Elas ajudam todo mundo a conviver bem, como em um time de futebol!
Apresente-se aos colegas novos.
Diga "oi, eu sou [seu nome] e gosto de [seu hobby]". Fazer amigos logo torna a escola mais legal e divertida.
Levante a mão para falar ou perguntar.
Se tiver dúvida, não fique quieto! Perguntar mostra que você quer aprender, como um detetive resolvendo mistérios.
Faça anotações coloridas e bonitas.
Use canetinhas para destacar o importante no caderno. Isso ajuda a lembrar das lições, como um mapa do tesouro.
Participe das brincadeiras e dinâmicas.
Na roda de conversa ou jogos, dê ideias! Movimentar o corpo e rir faz o cérebro aprender melhor.
Cuide do material e do espaço comum.
Guarde lápis e livros no lugar certo e limpe a mesa. Ser responsável deixa a sala bonita para todos.
Peça ajuda se precisar e ajude os amigos.
Fale com a professora ou um colega se algo estiver difícil. Ajudar os outros faz você se sentir um herói.
Conte para os pais o que aprendeu no dia.
À noite, fale sobre a aula legal ou o que descobriu. Eles vão adorar e te ajudar em casa.
Durma bem e coma direito para ter energia.
Vá cedo para a cama e coma frutas no lanche. Um corpo forte deixa sua cabeça esperta para estudar e jogar!
Dez Dicas Importantes para o Início das Aulas - para professores
O começo do ano letivo é um momento crucial para estabelecer rotinas e criar um ambiente acolhedor na sala de aula. Para professores do ensino fundamental, essas dez dicas práticas podem fazer toda a diferença no sucesso do semestre, promovendo o aprendizado e o desenvolvimento integral dos alunos.
Prepare o ambiente físico com antecedência.Organize a sala de aula de forma funcional: mesas em semicírculo para facilitar interações, murais com regras claras e cantinhos temáticos para leitura ou materiais. Um espaço atrativo desperta curiosidade desde o primeiro dia.
Conheça seus alunos individualmente.
No primeiro encontro, faça uma roda de conversa ou um "eu sou" rápido. Pergunte sobre interesses, hobbies e expectativas. Isso constrói confiança e permite personalizar o ensino logo de cara.
Estabeleça regras e rotinas claras.
Crie um cartaz coletivo com 4-5 regras simples, como "respeitamos o espaço do outro" e "levantamos a mão para falar". Revise-as diariamente na primeira semana para fixar hábitos positivos.
Planeje a acolhida emocional.
Inicie com dinâmicas leves, como desenhar "o que espero das aulas" ou compartilhar músicas sertanejas nostálgicas para quebrar o gelo. Alunos se sentem valorizados quando suas emoções são priorizadas.
Defina objetivos de aprendizagem visíveis.
Escreva no quadro ou em um mural os objetivos da semana, alinhados à BNCC. Explique como eles se conectam à vida real, como "aprender frações para dividir uma pizza com amigos".
Integre tecnologia de forma simples.
Use ferramentas acessíveis como YouTube Educativo ou apps gratuitos para vídeos curtos sobre o tema da aula. Em Goiás, plataformas como SESI Educação são ótimas para complementar.
Incorpore movimento e pausas ativas.
Inclua alongamentos ou jogos rápidos entre atividades para manter a atenção de crianças pequenas. Uma dica: "simão diz" adaptado ao conteúdo da aula.
Avalie o conhecimento prévio.
Aplique diagnósticos lúdicos, como quizzes com desenhos ou votações no celular. Isso revela lacunas e permite ajustes no planejamento sem pressão.
Comunique-se com as famílias.
Envie um WhatsApp ou bilhete no primeiro dia com horários, regras e como ajudar em casa. Parcerias família-escola fortalecem o desenvolvimento do aluno.
Cuide de si mesmo como professor.
Reserve tempo para refletir no fim do dia e planeje pausas. Um professor motivado inspira mais – ouça sua playlist sertaneja favorita para recarregar energias!
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
O PISO NACIONAL DO MAGISTÉRIO É, DE FATO, UM INSTRUMENTO DE VALORIZAÇÃO?
Desde a sua criação, o Piso Salarial Nacional para os Profissionais do Magistério Público da Educação Básica tem sido apontado como um dos pilares da valorização docente no Brasil. Instituído pela Lei nº 11.738/2008, durante o Governo Lula (Lula 1), o piso surgiu com o propósito de estabelecer um valor mínimo a ser pago aos professores em todo o país, combatendo distorções salariais históricas entre as redes estaduais e municipais. Junto com o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), o piso representou um avanço normativo importantíssimo para a educação brasileira.
Antes dessas conquistas, os salários dos professores eram, em muitos estados e municípios, extremamente inferiores a qualquer parâmetro de dignidade profissional. A ausência de um piso nacional e de mecanismos de financiamento estruturados deixava a docência vulnerável à desvalorização sistemática: professores recebiam valores baixíssimos, sem garantia de reajuste automático, e muitas vezes com disparidades enormes entre regiões. O Fundeb, ao vincular recursos específicos para a educação, e o piso, ao obrigar um salário mínimo profissional, representaram marcos de justiça social e reconhecimento profissional.
No entanto, a simples existência de um piso nacional nem sempre se traduz em valorização efetiva. Em teoria, o piso deveria garantir que todos os professores recebessem, no mínimo, um salário que respeitasse sua formação, responsabilidade e importância social. Na prática, há vários desafios que limitam sua eficácia real:
1. Descumprimento por estados e municípios
Apesar de ser uma lei federal, o cumprimento do piso depende da disciplina financeira e da vontade política dos entes federativos (estados e municípios). Em um país com enormes desigualdades fiscais, muitas unidades da federação ainda enfrentam dificuldades em honrar o valor do piso, alegando falta de recursos, queda de arrecadação ou prioridades conflitantes. A própria lei prevê penalidades, mas a sua aplicação efetiva ainda é tímida e pouco eficaz.
Para que o piso seja cumprido de forma mais rigorosa, é necessário:
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maior rigor dos órgãos de controle (Tribunais de Contas, Ministério Público, Justiça),
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transparência nos dados de folha de pagamento,
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prestação de contas periódica específica sobre o cumprimento do piso,
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responsabilização de gestores que deixem de aplicar os recursos da educação de forma adequada.
2. Valor real do piso em comparação com outras carreiras
Outro ponto de crítica frequente é que, mesmo com o piso, o salário dos professores ainda fica bem aquém do que profissionais com a mesma formação recebem em outras áreas. Comparar o vencimento inicial do magistério com o de carreiras de áreas afins – como profissionais de outras áreas do serviço público, engenheiros ou especialistas em tecnologia – evidencia um abismo salarial que não se justifica pela formação acadêmica exigida.
Se o piso teve valor simbólico e normativo, o valor monetário estabelecido e os reajustes concedidos ao longo dos anos deixaram de acompanhar adequadamente a inflação, o custo de vida e a complexidade crescente do trabalho docente. Em muitos municípios, o piso do magistério ainda supera por pouco o salário mínimo ou se aproxima de categorias profissionais com menor exigência de formação.
3. Valorização vai além do salário
É fundamental reconhecer que a valorização do professor não se limita ao aspecto salarial. Reconhecimento profissional, formação continuada, melhores condições de trabalho, suporte pedagógico, infraestrutura adequada e respeito social são igualmente essenciais. O piso é um elemento importante, mas não é suficiente por si só para reverter décadas de desvalorização.
4. Caminhos para fortalecer o piso
Para que o piso seja, de fato, um instrumento de valorização concreta, algumas medidas devem ser consideradas:
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atualização mais frequente e relevante do valor do piso, de forma que acompanhe não apenas a inflação, mas também o crescimento econômico e os indicadores de qualidade de vida;
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vinculação mais rígida dos recursos do Fundeb ao pagamento do piso e à melhoria das condições de trabalho;
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mecanismos de supervisão e penalização claros para entes que não cumprem o piso sem justificativa legítima;
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políticas de formação continuada que elevem a carreira docente a padrões comparáveis a outras profissões com nível superior.
Conclusão
O piso nacional do magistério foi, sem dúvida, um avanço importante para o reconhecimento da importância dos professores no Brasil. Instituído em um momento histórico em que a educação passou a ser tratada com maior seriedade, ele representa um marco normativo que protege a carreira docente de salários predatórios e desigualdades extremas. No entanto, enquanto instrumento de valorização, ele ainda enfrenta lacunas significativas:
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muitos estados e municípios não o cumprem plenamente;
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o valor real ainda é baixo diante de outras profissões com formação equivalente;
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a valorização docente exige políticas mais amplas do que apenas um piso salarial.
Para que o piso seja, de fato, um instrumento de valorização, é fundamental que ele caminhe lado a lado com políticas públicas consistentes, fiscalização rigorosa e um compromisso social renovado com o professor — que não é apenas quem ensina, mas quem forma gerações e sustenta o futuro do país.