quinta-feira, 15 de julho de 2021
Toda escola precisa ter um planejamento para refletir com seus alunos os valores sociais e culturais.
Notícias de assédios, estupros, abusos sexuais não faltam na imprensa, e isso precisa ser discutido com o alunado. Por que ensinar à aluna como se comportar ou se vestir e não ensinar ao aluno o respeito às mulheres e seu comportamento com elas?
Temos muito o que avançar para diminuir a violência contra as mulheres, de todos os tipos. Já passou o tempo em que a mulher era considerada posse do homem!
O machismo está em homens e mulheres. Se você tem filhos e/ou filhas, não importa, tem o dever de prepará-los para uma vida pessoal e social respeitosa com as mulheres. Para o mundo ser melhor e os filhos terem chance de uma vida boa, eles precisam de nós para se tornarem melhores do que nós!
sábado, 12 de junho de 2021
A avaliação escolar dos alunos não é a finalidade da educação formal
segunda-feira, 22 de março de 2021
O EXERCÍCIO DA COMPAIXÃO
Sim, os pais estão ansiosos, temerosos e exaustos por terem tido um grande acréscimo no seu já grande pacote de responsabilidades. Afinal, crianças confinadas em casa dão todo tipo de trabalho imaginável – e os inimagináveis também –, e o ensino remoto dos filhos acrescentou tarefas aos pais com as quais eles não estavam acostumados e, portanto, não tinham experiências acumuladas.
Mas, imagine só: como adultos já temos maturidade – ou deveríamos ter –, recursos pessoais e autoconhecimento suficientes para reagir de modo mais saudável a tantas preocupações e pressões e maior facilidade para expressar as emoções que nos assaltam; sabemos reconhecer a necessidade de pedir ajuda quando necessário e temos já desenvolvido o autocuidado.
E os mais novos? Você já ouviu a expressão “estamos todos no mesmo barco”? Outro dia, li em um texto que estamos sob a mesma tempestade, mas em embarcações bem diferentes. É o caso dos mais novos: eles estão ou à deriva ou em barcos mais frágeis.
sábado, 27 de fevereiro de 2021
A SEGREGAÇÃO ENTRE "CASA E RUA"
quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
Que 2021 nos salve de 2020
Que 2021 nos salve de 2020
Num ano que nos privou dos encontros, das risadas na mesa de bar e sobretudo dos abraços, além de ter levado milhares de vidas, o início de 2021 é, mais do que nunca, um aceno da esperança. Na retrospectiva da pandemia, cada brasileiro expiou uma dor e abraçou de longe a dor do outro, carrega para a virada um sonho. Um sonho de dias mais solares e menos isolados. Se despedir do ano que passou é deixar para trás uma verdadeira quarentena de afetos.
Mais do que uma revolução na rotina, adultos em home office ou desempregados, jovens fora da sala de aula, ficarão para sempre tatuados na memória os medos, a ansiedade, a solidão gigante do quarto de quem teve Covid e a tristeza sem tamanho por cada morte, próximo ou não, que não foi possível evitar.
terça-feira, 17 de novembro de 2020
A BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS
Os alunos que conseguiram realizar o estudo remoto nem sempre tiveram aprendizagem, é bom lembrar. Por quê? Pela idade não compatível com estudos a distância, por aulas remotas muito longas, por falta de preparo da escola e dos alunos, pela ausência de um período de adaptação, principalmente dos alunos, ou pela simples transposição do ensino presencial ao remoto. Isso não funciona.
O problema é que, independentemente de todas essas dificuldades e características do tempo de exceção que vivemos, a pressão para o bom rendimento escolar continua a existir. E essa pressão segue um caminho, que é mais ou menos o seguinte: a escola se sente pressionada pelos pais a mostrar sua competência e cobra dos professores que eles realizem um ensino que resulte em aprendizagem; os professores dão conta como podem desse trabalho, mas mesmo testemunhando dificuldades de muitos alunos com o ensino remoto cobram dos pais que acompanhem e façam seus filhos realizarem todas as tarefas solicitadas; e os pais, cobrados pela escola, tentam cumprir um papel que nem é deles. Resultado? O esgotamento ao qual me referi logo no início do texto.
Todas as vezes em que falo que não é papel dos pais garantir que seu filho realize os trabalhos solicitados pela escola sou bastante questionada, por isso convido você a uma breve reflexão a esse respeito. Os alunos não vão para a escola, necessariamente, porque querem aprender. Vão porque é obrigatório, certo? Já a escola quer que seus alunos aprendam e utiliza todos os recursos que tem disponíveis.
Os professores querem ensinar, mas nem sempre seus alunos querem aprender. Há aí um conflito que precisa ser trabalhado pela escola com seus alunos. Conflito é bom porque faz crescer, e sempre que existe qualquer situação que envolva mais de uma pessoa é inevitável que ele apareça. Administrar os conflitos que surgem entre escola e alunos é um grande passo de ensino e de aprendizagem.
Tomemos um recurso muito usado pelas escolas como estratégia para o aprendizado: o trabalho para ser feito fora da escola. Tarefa de casa, como muitos chamam. O que cabe à família? Ajudar o filho a se organizar no tempo e no espaço para que ele cumpra a sua responsabilidade. Atenção: a responsabilidade é do aluno, não dos pais dele.
Vamos tomar um exemplo que ocorre com muita frequência: os pais lembram ao filho da lição que ele deve fazer, organizam um local, tiram as distrações dele e, mesmo assim, o filho não a faz. Vai para a escola sem o dever cumprido, e um recado aos pais é enviado.
Notem que o aluno, ao não fazer a lição dada pela escola, ele inaugura um conflito entre ele a escola. Conflito esse que deveria ser administrado lá, entre os envolvidos: escola e alunos. Quando a escola deriva aos pais a busca de solução para esse conflito, ela continua com o mesmo conflito. É isso que atrapalha a aprendizagem: problemas que não são resolvidos seguem prejudicando o ambiente de aprendizagem escolar. Vamos reconhecer: há muitas famílias que não colaboram com os estudos dos filhos ou porque não conseguem, ou porque não ligam. Agora, vamos pensar: que culpa tem o aluno da família que tem? Vamos, na escola, trabalhar com quem está conosco nos estudos escolares: os alunos!
segunda-feira, 1 de junho de 2020
PELO COMPORTAMENTO DO BRASILEIRO, FICA CLARO QUE VAMOS MUDAR PARA PIOR
sábado, 16 de maio de 2020
ESPORTE E ENSINO A DISTÂNCIA PRECISAM SE PROVAR MAIS HUMANOS
Ser professor nestes tempos exige muito mais do que ter conhecimento. Catapultados da sala de aula para ambientes virtuais, passamos a mesclar nossa capacidade de comunicação acadêmica com retoques cênicos e plasticidade tecnológica. A educação precisou se reinventar a toque de caixa e ainda não encontrou a luz no fim do túnel.
Ou seja, em tempos de crise, mais do que nunca, é preciso reinventar.
Atividades historicamente construídas como presenciais deixaram de acontecer nos últimos meses. Escolas e universidades buscaram se adaptar, não apenas para cumprir seus currículos, mas porque se mostraram indispensáveis à sanidade de estudantes e seus familiares. Isso está dando um trabalho danado para quem efetivamente pensa a educação como algo que vai para além da simples divulgação de conteúdo.
No campo esportivo, a cena é um pouco mais complexa. A exibição de uma competição depende de todo um conjunto de ações anteriores (treinos individuais e coletivos, preparação física, cuidados com o corpo) que ainda não puderam ser substituídas por atividades a distância. Sem contar a importância do público que transforma a competição em um espetáculo.
Ou seja, nem a educação, nem o esporte, serão os mesmos ao final da pandemia.
Algumas ligas, mundo afora, começam a anunciar o retorno às atividades, com distanciamento, sem público. Tenho lá minhas dúvidas se isso poderia ser chamado de esporte. O que tenho absoluta certeza é que o negócio esportivo começa a se mexer, sabe-se lá em que direção.
Os negócios começam a voltar, mas ainda não é possível dizer que o esporte voltou. Atletas permanecem em suas casas, adaptando treinos e a vida a uma condição nunca antes imaginada. Nunca é demais afirmar a necessidade de preservar a vida antes dos negócios.
domingo, 26 de janeiro de 2020
Sexualidade e a escola
quarta-feira, 18 de dezembro de 2019
Nem toda unanimidade é burra
segunda-feira, 25 de novembro de 2019
Quem vigiará os professores?
sábado, 2 de novembro de 2019
A desvinculação dos recursos da educação
sexta-feira, 19 de julho de 2019
Educação: a "prioridade nacional" e o discurso cínico
domingo, 2 de junho de 2019
LEITURA DA EDUCAÇÃO
domingo, 5 de maio de 2019
Loucos por gente
domingo, 7 de abril de 2019
Um bom começo, por uma primeira infância saudável para todos
sexta-feira, 25 de janeiro de 2019
O que verdadeiramente somos? Ego ou Alma ?
sábado, 12 de janeiro de 2019
Escola sem Partido

campo dos afetos.
—o conceito sem a palavra surge no final do 18 com Edmund Burke (1729-1797), a palavra surge na França nos primeiros anos do século 19, segundo o historiador das ideias Russel Kirk (1918-1994).
Brasil de hoje em dia.
domingo, 30 de dezembro de 2018
Somos o nosso maior inimigo
Somos lançados em um meio cuja educação é precária em relação ao conhecimento que Spinoza nos propõe. Conhecemos o mundo a partir de valores de figuras de autoridade, pouco nos ensinaram a experimentar e reconhecer as causas daquilo que nos acontece, muito nos ensinaram a julgar e acusar. A cultura e a educação dominantes são altamente castradoras, o homem predominante no ocidente é profundamente interiorizado, crente em livre-arbítrio e, atualmente, tolamente espiritualizado com as caricaturas de uma liberdade neoliberal que o cega diante da própria servidão. Resta que aquilo que chamamos de Eu ou Ego também se constituiu, dominantemente, como um repositório de fantasmas e superstições, repleto, na maioria das vezes, de castração e táticas de má-fé para (re)agir diante das angústias e infelicidades. E é desse lugar interiorizado que o homem trava terríveis batalhas contra si mesmo, às vezes por uma vida inteira.
"(…) a educação sempre foi, no seu modo dominante de ser, uma máquina de adestramento reativo e não uma máquina de adestramento que poria a vida em condições de criar as próprias condições de experimentação da existência. FUGANTI, L. Educação para potência."
Spinoza cita Adão como exemplo de um homem que desconhece as causas – o ignorante (aqui sem a conotação pejorativa). Este teria interpretado o Não comerás do fruto… como um interdito moral. O encontro do seu corpo com o corpo da maçã seria um mau encontro devido a indigestão, envenenamento, intoxicação, decomposição, etc., mas por ignorar as causas Adão interpreta o interdito sob a categoria do Mal. Por ignorância muitos maus encontros são acusados nas categorias do negativo – ao invés de compreender, acusamos e nos encurralamos cada vez mais como sujeitos interiorizados, pois toda acusação pressupõe uma vida marcada por um sentimento de vingança. Acusar a vida e o outro pelos nossos maus encontros pressupõe afetos do ressentimento, “E nenhuma chama nos devora tão rapidamente quanto os afetos do ressentimento.” NIETZSCHE, F. Ecce Homo. Eis aí o homem como o maior inimigo de si mesmo.
Nós não temos sido muito diferentes de Adão. Muitas das nossas ações e comportamentos que nos diminuem, por assim dizer, nossos fracassos, temores, constrangimentos de viver, etc., são externalizados no “Mal” do outro e do mundo a partir de um sujeito interiorizado ignorante das causas. Mas quando o outro não pode ser usado como causa o homem se empenha em atribuir causas internas como justificativas para a sua própria infelicidade. Em ambos os casos ele permanece na ignorância das causas. Importante ressaltar que nos nossos tempos os diagnósticos de doença mental podem ocupar esse lugar de legitimação de uma causa externa para construir narrativas da própria infelicidade, mas essa dimensão não exclui a internalização do fracasso e da infelicidade diante de uma sociedade de dever à felicidade e ao sucesso, apesar de tais narrativas encontrarem ressonâncias a partir de um social psiquiatrizado, a culpabilização de si também aumenta
Assim como acusamos o outro e a vida pelas nossas infelicidades, também nos rotulamos facilmente de ansiosos, impulsivos, tímidos, depressivos, irascíveis, amargurados, apáticos, etc. Quando não estamos à altura daquilo que nos acontece e damos causas internas – em geral sentimentos negativos – como justificativas, além de nos fecharmos à compreensão, ficamos à mercê de uma série de censuras e julgamentos, empenhamo-nos em verdadeiros ataques ao “eu” – o Euzinho interno… ele próprio que costuma ser um golpeador do corpo, separando-nos daquilo que nos acontece – o estado internalizado em nós.
Enfim, produzindo modos de existir e perceber as coisas, daí o servilismo se confunde com liberdade e livre-arbítrio, assim como o conhecimento, também internalizado, reduzido como capacidade de julgar através de categorias de valores binários e, sobretudo, em função da economia, não passa de uma ignorância – Spinoza não nos deixa se enganar a respeito desse tipo de conhecimento.
"Uma criancinha acredita apetecer, livremente, o leite; um menino furioso, a vingança; e o intimidado, a fuga. Um homem embriagado também acredita que é pela livre decisão de sua mente que fala aquilo sobre o qual, mais tarde, já sóbrio, preferiria ter calado. Igualmente (…) muitos outros (…) acreditam que assim se expressam por uma livre decisão da mente, quando, na verdade, não são capazes de conter o impulso que os leva a falar. Assim, a própria experiência ensina, não menos claramente que a razão, que os homens se julgam livres apenas porque são conscientes de suas ações, mas desconhecem as causas pelas quais são determinados. SPINOZA, B. Ética, parte III, prop 2 esc."
Conhecer a causa daquilo que nos acontece nos potencializa para buscar compreendes mais efetivas junto às interações com o mundo. Romper com esse sujeito interiorizado que foi produzido, costumeiramente, como sendo causa daquilo que nos acontece e, sobretudo, perceber o devido lugar que grandes estruturas – e não meramente os indivíduos – como o estado, o capital, a religião, a linguagem, e tantas outras, ocupam, com a nossa cumplicidade (ver O ego é cúmplice), nos processos de subjetivação e produção de vida, é fundamental para nos afastar de tanta ignorância e servidão. Para tanto, prezamos por uma compreensão que vai em busca de cartografar os nossos trajetos, perceber as modificações, as nuances de alegria e tristeza, os aumentos e as diminuições da nossa potência de agir e de pensar. Nietzsche fazia muito bem isso, em seus trajetos procurava avaliar os efeitos do ambiente, do clima, da alimentação, de uma música, da temperatura etc., sobre a sua potência de agir e pensar.
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